Os 3 erros mais comuns na colheita de amostras para o teste de ADN forense

resumo

A colheita das amostras de ADN apesar de ser um procedimento simples deve sempre ser acompanhada de alguns cuidados. As amostras forenses como cabelos, escovas dos dentes entre outras devem sempre ser transportadas em ambiente seco. Veja abaixo em que casos se utiliza um teste de adn forense e quais os 3 erros mais comuns na altura da colheita destas amostras.

O que é um teste de ADN forense e as precauções que deve ter na colheita das amostras

Num teste de adn forense são utilizados marcadores polimórficos, ou seja, regiões que apresentam mais que um alelo por marcador genético. A técnica mais utilizada para extracção de ADN de uma amostra forense tem o nome de PCR (polymerase Chain Reaction). Com esta técnica é possível fazer o perfil de ADN Forense utilizando quantidades mínimas de amostras, como fios de cabelo, escovas dos dentes, ou até mesmo manchas de sangue. (veja aqui as amostras que pode submeter a análise num teste de adn forense).

Para obter um perfil de ADN com sucesso, o laboratório dpende basicamente da qualidade e quantidade de ADN extraído das diversas fontes de ADN submetidas. Contudo, nos testes de paternidade, o ADN é normalmente extraído de amostras colhidas em situações ideais, sem contaminação e com uma grande quantidade de material genético.

Contudo e por vezes não é possível obter amostras das células da boca dos intervenientes e em alguns casos e com todos os trâmites legais assegurados podemos utilizar outras amostras, como cabelo, unhas, sangue seco, entre outras.

ERRO 1 - Colheita de amostras de ADN sem o conhecimento do outro interveniente, ou dos tutores legais!

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  • Quando duas pessoas são maiores de idade:

Somos muitas vezes abordados pelos nossos clientes para saber se podem fazer um exame forense sem o conhecimento de outra pessoa, por exemplo um teste de paternidade sem o conhecimento do pai. Claro que a resposta é não! Não se pode fazer um teste de adn paternidade, em que uma pessoa maior de idade seja interveniente sem dar o seu consentimento. Tal atitude é crime.

Imagine que encontra em sua casa, uma gaze com sangue seco, e esta lhe pertence. Pretende correr um exame sobre esta amostra para saber se o ADN é seu ou de um familiar. Se a amostra é sua está no direito de saber se lhe pertence, aqui pode correr o exame.
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  • Quando uma das pessoas é menor de idade:

Para executar este exame, em primeiro lugar só os tutores legais podem dar autorização para que se avance com o exame de ADN forense, e é usado quando os tutores estão a proteger o supremo interesse das crianças, ou seja, afim de as proteger emocionalmente quanto ao exame em questão, podem ser submetidas unhas cortadas ou cabelos, contudo, voltamos a afirmar que os tutores legais tem de dar consentimento.

ERRO 2 - Colheita das amostras de ADN sem rigor e para invólucros de plástico fechados hermeticamente!

Acontece muitas vezes a pessoa que colhe as amostra, não ter cuidado na sua extracção, talvez influenciada por séries e filmes que demonstram como o processo é simples. De facto o processo de colheita é simples, mas devem existir sempre alguns cuidados (vamos enumerar alguns cuidados abaixo, contudo entenda que não faremos uma lista exaustiva).

  1. As amostras como o cabelo são cortadas e não arrancadas (o ADN está na raiz, cabelo cortado não tem ADN);
  2. As amostras como escovas dos dentes são colocadas em sacos de plástico fechados e o ADN não pode respirar; (as amostras devem ser ser colocadas em envelopes de papel);
  3. Enviar apenas uma unha. (é preciso uma quantidade mínima de material genético. No caso das unhas precisamos no mínimo de 6);
  4. Cortar as unhas com um corta-unhas que é utilizado por toda a gente lá em casa (o material cortante deve estar esterilizado ou deve ser novo);
  5. Tenho um copo em que a pessoa bebeu (normalmente não tem ADN suficiente para fazer um exame de paternidade).
  6. As pessoas tocaram no objecto (só é possível a extracção de adn de um fluído que sai do nosso corpo (saliva, sangue, cera dos ouvidos, muco nasal, raíz do cabelo, grandes quantidades de suor), o ADN não é passado pelo toque;
  7. Entre outros…

Na dúvida entre em contacto com o nosso apoio ao cliente e tire as suas dúvidas antes de avançar com a colheita da amostra.

ERRO 3 - Atribuição de culpabilidade a determinada pessoa sem uma custódia documental da recolha da amostra e do seu transporte

Também é comum, por exemplo no caso de um teste de adn de infidelidade, os nossos clientes quererem usar o relatório em tribunal. Não é que não possam, podem! Mas o relatório não tem validade jurídica e de nada vale em tribunal. mas porquê? respondemos abaixo.

Considere abaixo o seguinte caso real, com nomes diferentes dos nossos clientes:

Uma cliente de nome Carla, contactou-nos para a realização de uma análise forense a um pedaço de tecido azul, que encontrou em sua casa.
A cliente questionava-se o que era a mancha presente na toalha azul, e se por acaso lhe pertencia, pois não se lembrava de ter a toalha manchada.
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  1. A nossa cliente Carla pretendia saber se a mancha continha materiais biológicos de seres humanos;
  2. Se fosse detectado materiais biológicos queria saber quantos ADN existiam na mancha da toalha azul;
  3. Se fosse detectado ADN feminino pretendia saber se este lhe pertencia;
  4. Se fosse detectado ADN masculino, pretendia saber se teve origem em sémen.

Imagine que o final deste caso acima exposto foi o seguinte:

  • Existia ADN feminino e masculino;
  • Existia a presença de sémen;
  • Afinal a dadora Carla não era a contribuidora do ADN feminino, logo aquela mancha biológica não lhe pertencia.

Podia a Carla usar este teste de adn num futuro processo jurídico?

Não. Porque, apesar destes três passos serem feitos com o maior rigor científico laboratorial ainda lhe falta provar que:

  1. O ADN masculino pertencia ao companheiro;
  2. A proveniência da amostra e não adulteração da mesma.

O laboratório não faz custódia documental destes processos, ou seja, o laboratório não tem forma de verificar a proveniência da amostra submetida a análise, pelo que a custódia de transporte e documental é violada e não pode ser conferida validade jurídica ao relatório.

Claro que a Cliente pode afirmar que a proveniência do pedaço de tecido azul foi da casa de banho da sua residência, mas como não existem provas factuais, este caso não tem relevo jurídico.

conclusão

O teste de adn forense podem ser utilizadas diversas  amostras como cabelos, unhas, escovas dos dentes entre outras. Contudo a legalidade de execução do exame tem de estar sempre assegurada, seja pelos intervenientes maiores de idade seja pelos tutores legais. É preciso ter alguns cuidados na recolha de amostras forenses, quanto ao seu transporte e extracção. Normalmente um teste de adn forense não pode ser usado em tribunal.

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