Razões para não utilizar Kits de ADN genéricos, ou a preços muito baixos.

resumo

Nem tudo o que reluz é ouro. Principalmente na área da genética. Uma afirmação ousada que será desmitificadda ao longo deste artigo, de facto é explicado porque pode uma empresa na área do ADN ter testes de ADN a 60€ e como a mesma empresa, até lhe pagava para que fizesse o exame, porque verdadeiramente o produto é você e o seu ADN.

Os testes de ADN realizados em casa estão cada vez mais presentes, muitas vezes oferecidos como prendas de Natal. São várias as notícias de pessoas que oferecem kits de colheita de ADN ancestrais (para descobrirem as suas origens) como forma de presentearem os seus conhecidos. E na realidade é sempre um presente surpreendente para se receber!

Em consulta à MIT Technology Review, podemos depararmos com notícias fascinantes: «O número de pessoas que participaram em testes de ancestralidade dobrou em 2017».

Mas será que um teste de ancestralidade realizado a 60€ ou 90€, acarreta algum risco? Ou não passa de um serviço que cada vez está mais barato e o publico em geral pode usufruir dos preços cada vez mais baixos desta excitante tecnologia?

Não existem dúvidas que a tecnologia está mais rápida, com mais qualidade e mais barata, mas se está assim tão barata, porque é que quando pensamos noutros tipos de testes de ADN como os de paternidade, alimentar, bem-estar, estes também não se vendem a 60€?

A verdadeira razão é que a tecnologia está barata, mas não ao ponto de se praticar o preço de 60€ por exame. Então como existem empresas a praticar estes preços? Quem está a pagar este serviço?

Na realidade as empresas de ancestralidade que se dedicam exclusivamente a este tipo de exames, vivem para compilar bases de dados com milhões de perfis de ADN, para depois venderem por largos milhões a empresas farmacêuticas, governos, empresas de marketing e institutos de investigação!

Nem todas as empresas protegem os seus dados genealógicos «perfis de ADN»

A Dra. Karlin Lillington  afim de testar todo este serviço inscreveu-se num site de ancestralidade on-line e, depois de receber uma grande quantidade de e-mails e propaganda de anúncios de ancestralidade, twitou. “Atenção aos Kits de ADN”, “Porque você e seu ADN é que são o produto.”

 

No Facebook, o Dr. Lillington continuou a escrever: os kits são comercializados com o objetivo de satisfazer curiosidades sobre a história da família ou um pouco de conhecimento médico. São baratos e parecem ser grandes presentes. Mas a razão pela qual eles são baratos é para “compilar bases de dados de ADN que podem ser vendidos, de dezenas a centenas de milhões, a empresas privadas, geralmente grandes empresas farmacêuticas ou de marketing”.

 

De facto, recorrer a empresas que não tem sede na Europa, que comercializam os seus testes ilegalmente (sem pagar impostos) através dos seus websites e facebook, ao fim pagar 60€ e achar que não existem consequências, é no mínimo uma ilusão. Tanto por tão pouco!

E na realidade a curto prazo não haverá grande consequências, a não ser que o seu genoma seja utilizado no desenvolvimento de algum produto/ serviço «menos ético».

Não iremos abordar aqui o roubo de identidade, acaba por ser um tema complexo, que certamente 99% das pessoas não está sujeita, apesar de no futuro ser o problema muito sério, no presente acaba por ser entrar num campo de demagogia, de acusações fáceis que não é certamente o que pretendemos com este artigo.

Para que querem as empresas de marketing os perfis de ADN?

Muitos dos leitores devem estar surpreendidos. Porque as empresas de marketing haveriam de querer os perfis de ADN?

Ora cada vez mais o marketing é uma ciência que se apoia no estudo de como o cérebro humano funciona, agora imagine, que estas equipas conseguem descobrir que se um grupo de pessoas detém determinados genes está mais propensa a comprar a x horas, ou com determinado esquema de incentivos.

Através dos seus genes, podem manipular o que você compra, onde gasta o seu dinheiro, «carregando apenas nas teclas certas», sem consequências para eles, apenas descobriram o caminho, através do seu genoma de forma a conseguir que compre o produto que lhes interessa.

Acabam por o conseguir manipular sem que consiga fazer nada, aliás apenas usam o que existe já programado nos seus genes!

Apesar de ser uma área muito recente, os resultados já não deverão estar muito longe!

Ganhei um Irmão, perdi uma família!

As consequências podem ser devastadoras.

Outra grande questão destes exames é a disponibilização do ADN dos participantes numa rede genealógica a nível mundial. Utilização do seu ADN para a realização de potenciais ligações biológicas entre milhões de pessoas ao redor do mundo.

Apesar de parecer excitante tal facto, saber se tem primos na Grécia, Brasil ou até descobrir um Esquimó como Tio, na prática pode haver grandes consequências.

É indubitável que a nível de procura de familiares esta pode ser uma ferramenta como nenhuma outra. É barata, rápida e com uma ligação de pessoas exponencial.

Mas o reverso da moeda é poder acabar por descobrir que vários familiares que sempre pensou serem seus familiares diretos, poderem de facto não o ser, acabando por trazer memórias esquecidas e guardadas ao longo de uma vida.

Não nos interpretem mal, a verdade deve ser o objetivo de todos como indivíduos e como sociedade, a verdade deve estar disponível para todos e cada um deve assumir as suas responsabilidades, mais tarde ou mais cedo, todos devem ser responsabilizados pelos seus actos! A verdade acaba sempre por ser descoberta e ainda bem que assim é!

Mas será que a sua família está disponível e preparada para saber a verdade? Será que o aparecimento de um meio-irmão? De um tio? Ou o conhecimento que aquela pessoa que nos relacionamos, afinal não tem uma relação biológica consigo, poderá alterar as coisas?

E um outro irmão para reclamar a herança, algo que nunca pensou que iria acontecer?

Acima de tudo, não está aqui em discussão se a verdade deve ou não ser descoberta, na nossa opinião deve ser sempre descoberta! Em foco está se estas empresas deveriam ou não utilizar o nosso ADN para estabelecer estas ligações! Talvez sim, pois faz parte do serviço, talvez não, pois pode trazer várias questões ao ceio de um lar.

Fica sobretudo entregue à consciência de quem executa estes exames, do não controlo do seu próprio genoma e como pode ser utilizado o seu perfil de ADN.

 

Como estou a dar ADN pela Saliva, nunca podem ter acesso a todo o meu ADN. Logo estou protegido!

Outro mito existente é que o ADN da «saliva» é diferente do «sangue», ora, ADN é ADN e pode ser retirado do Sangue, da Saliva da raiz de um cabelo, de um osso, da urina ou de qualquer material do seu corpo.

O seu Corpo produz um único ADN!

Não tem um ADN diferente na boca e no sangue, o seu ADN é o mesmo, logo, dando uma amostra de «saliva», por mais pequena que seja, os laboratórios que executam os exames têm acesso a todo o seu genoma. Aliás só assim estas empresas podem vender com algum grau de sucesso as bases de dados que constituem diariamente.

Para uma empresa farmacêutica interessa tudo, menos a sua genealogia, ou se é 20% português e 30% Francês, o que as empresas farmacêuticas procuram são SNP’s específicos para a realização de testes específicos e isso está presente na sua amostra de ADN.

Conclusão

Na CódigoADN cobramos um preço justo pelos testes de ADN, que nos permite estar no mercado, protegendo as suas informações. Na códigoADN não vendemos nenhuma informação e não a utilizamos em campanhas de marketing.

Veja aqui mais sobre os testes de ADN válido em tribunal>>

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