Sumário:
Um casal após efetuar os exames obteve um resultado de um teste de paternidade negativo, não aceitando o resultado resolveram efetuar uma contraprova em outro laboratório. O que se segue abaixo são as conclusões dessa contraprova, assim como a nossa análise, acompanhando as rigorosas certificações. Leia abaixo, porque é importante escolher bem o laboratório certo na altura de efetuar o teste de paternidade.

Resultados errados do teste de paternidade

Um casal cujo teste de paternidade foi considerado negativo solicitou uma segunda opinião.

O resultado contestado foi baseado em duas incompatibilidades (dois marcadores não coincidentes) entre o homem testado e a criança. Os marcadores em questão eram o D8S1179 e CSF1PO, esta obtenção foi realizada a partir da tecnologia promega (PowerPlex 16®).

É importante realçar para o leitor que este kit de ADN (tecnologia utilizada pelo laboratório) apenas utiliza 16 marcadores genéticos; (atualmente o laboratório da códigoadn utiliza no mínimo 24 marcadores genéticos)

O laboratório que efetuou a contraprova repetiu o teste usando os kits PowerPlex 16 (kit usado originalmente), FFFL System e SGM Plus (no total de 21 marcadores genéticos testados). Foram novamente encontradas as exclusões nos marcadores D8S1179 e CSF1PO.

Adicionalmente foi mapeado o cromossoma Y. Os haplótipos do cromossomo Y do suposto pai e da criança do sexo masculino combinados (usando o kit PowerPlex Y). Os 12 locais corresponderam, colocando o Índice de Paternidade (IP) num valor superior a IP> 10 milhões.

A reprodutibilidade das duas exclusões, mas com um Índice de Paternidade (IP) alto, nomeadamente com os haplótipos do cromossomo Y correspondentes e a ausência de mais incompatibilidades com os seis marcadores genéticos adicionais, indicam que é possível que as exclusões fossem devido a mutações nos marcadores genéticos D8S1179 e CSF1PO do suposto pai.

É possível que os alelos observados em CSF1PO: Alegado Pai (11,12), Criança (10,11), mãe (11,12), tenha surgido como resultado de uma mutação da mãe ou do pai.

O laboratório que realizou o teste de paternidade inicial errou ao emitir os resultados deste caso como uma paternidade negativa, com base em duas incompatibilidades, sem considerar as taxas de mutação para os marcadores genéticos não coincidentes.

Quando as taxas de mutação foram consideradas, o valor do Índice de Paternidade (IP) foi > (superior) a 10 milhões e a probabilidade de paternidade > (superior) 99,9999%. As conclusões do teste inicial também não consideraram a possibilidade de que apenas uma incompatibilidade possa existir, entre o alegado pai e a criança. Remetendo a segunda incompatibilidade para a mãe;

Nota: O índice de paternidade relatado neste texto é importante, pois, é a partir deste número que se obtém a probabilidade de paternidade.

Clarificando, com um Índice de Paternidade (IP) > 10 milhões, em linguagem corrente, pode-se ler que, o suposto pai, tem uma probabilidade de ser o pai biológico da criança em teste, 10 milhões de vezes superior a qualquer outro individuo da mesma raça;

Não foi possível descartar o possível envolvimento de um parente próximo do sexo masculino do suposto pai, devido à falta de informações adicionais. Este caso destaca a necessidade do  conhecimento da literatura e dos padrões atuais científicos ao interpretar os dados do teste de paternidade.

1 – A história de um resultado de um teste de paternidade errado

Um casal contatou o laboratório para repetir um teste de paternidade, que já havia sido realizado por outra empresa comercial de testes de paternidade de ADN não relacionada connosco.

O relatório emitido pelo primeiro laboratório, concluiu que o homem testado foi excluído da paternidade da criança do sexo masculino com base em incompatibilidades nos marcadores genéticos D8S1179 e CSF1PO.

resultado de um teste de paternidade laboratorial

É prática padrão, e cientificamente aceite internacionalmente, que só se excluí a paternidade apenas quando um mínimo de três incompatibilidades for observado, o que está de acordo com Di Lonardo et al. [1].

A possibilidade de mutações deve ser levada em consideração para os casos em que uma ou duas incompatibilidades são observadas. O laboratório que realizou o teste de paternidade inicial não abordou a possibilidade de eventos mutacionais no seu relatório, apesar da literatura existente sobre métodos para a análise e interpretação dos efeitos de mutações aparentes nas conclusões dos testes de paternidade.

2 – Materiais e métodos utilizados para executar a contraprova do teste de paternidade

2.1 Perfil STR

As amostras de ADN foram extraídas de zaragatoas bucais usando o kit de extração DNA IQ (Promega). Veja porque é importante utilizar células da boca em vez de sangue, no mais recente artigo, entendendo os testes de paternidade de ultima geração.

As amostras foram analisadas usando 3 kits separados de marcadores autossómicos STR: Promega PowerPlex 16®, kit Promega Geneprint FFFL® e kit Applied Biosystems SGM Plus®.

A combinação dos 3 kits acima deu um total de 21 locus STR autossómicos.

O kit Promega 12 PowerPlex Y® foi usado, para obter 12 haplótipos do cromossomo Y do locus STR, para o suposto pai e a criança do sexo masculino. Os dados foram analisados ​​usando o ABI Prism 310® Genetic Analyzer.

2.2 Análise estatística

Os índices de paternidade (IP) foram calculados usando o pacote de software com frequências de mutação de 0,16% para o locus CSF1PO e 0,13% para o locus D8S1179.

Exame contra-prova teste de paternidade

3 – Resultados da contraprova do teste de paternidade

A tipagem do ADN do suposto pai, criança e mãe foi bem-sucedida para todos os marcadores genéticos STR autossómicos, incluídos nos 3 kits de amplificação usados.

As incompatibilidades entre pai e filho em D8S1179 e CSF1PO foram reproduzidas usando PowerPlex16® (Tabela 1).

Nenhuma incompatibilidade adicional foi observada quando se adicionou os 6 locus STR autossómicos adicionais.

TABELA 1 – herança genética, e respetivas mutações nos marcadores genéticos.

tabela 1 - herança genética

A incorporação das taxas de mutação para D8S1179 e CSF1PO no cálculo obteve-se um Índice de Paternidade (IP) para todos os 15 locus PowerPlex 16 que foi (superior a ) > 10 milhões, com probabilidade de paternidade (superior a) > 99,99999%, excluindo o envolvimento de um parente próximo do sexo masculino do suposto pai.

Os haplótipos do cromossomo Y do suposto pai e da criança do sexo masculino foram compatíveis em todos os 12 locus STR do cromossoma Y testados, indicando que, partilham a mesma linha paterna.

A presença de alelos nulos foi considerada improvável, pois o trio era heterozigoto em D8S1179 e CSF1PO.

4 – Discussão – Análise dos procedimentos tomados nos resultados do teste de paternidade

O laboratório que realizou o teste de paternidade inicial para este trio estava incorreto na sua conclusão, (apesar de a parte técnica – extração do perfil genético estar correta) de que o alegado pai poderia ser excluído como o pai biológico da criança, com base em dois alelos não coincidentes de CSF1PO e D8S1179.

A incorporação das taxas de mutação, para estes marcadores genéticos, resultou em valores altos para o IP Índice de Paternidade combinado e posteriormente, uma probabilidade de paternidade, apoiando fortemente a hipótese de que o alegado pai é o pai biológico da criança.

O primeiro laboratório também deveria ter considerado a hipótese de que os alelos não coincidentes, em CSF1PO poderiam ter surgido como resultado de uma mutação da mãe, deixando apenas uma incompatibilidade entre suposto pai e criança em D8S1179.

A terceira hipótese a ser considerada, é que, um parente próximo do sexo masculino da mesma linha de descendência paterna do suposto pai é o verdadeiro pai biológico.

Já anteriormente, o laboratório trabalhou num exemplo semelhante de um teste de paternidade com duas incompatibilidades, onde foi posteriormente revelado que, o irmão do suposto pai era de facto o pai biológico da criança.

Não houve incompatibilidades observadas quando o irmão do suposto pai foi testado contra a criança, e o suposto pai foi excluído como o pai biológico da criança, confirmando que o pai biológico desta criança era afinal o irmão do primeiro pai testado.

Neste caso, a mãe recusa-se a dar mais informações sobre se um parente próximo do sexo masculino do alegado pai possa ser também considerado como o suposto pai.

É prática padrão do laboratório incluir a declaração “… excluindo o envolvimento de um parente direto do sexo masculino …” ao relatar os resultados dos testes de paternidade.

Na realidade este exame, apenas verifica que o potencial pai da criança é da mesma família que o suposto pai, provavelmente o suposto pai é o pai biológico, mas não se pode descartar o parentesco de um familiar direto como de um irmão ou mesmo do seu pai. Este exame permanece inconclusivo e aguarda análises adicionais.

Entenda que à data do caso, não havia a tecnologia que existe hoje, logo, não se avançou mais neste caso, devido à não disponibilidade dos intervenientes no exame de paternidade.

Atualmente e devido ao forte investimento em tecnologia por parte do nosso laboratório, já se é capaz de realizar testes com 33 marcadores genéticos, disponível para mais informações com o nome teste de paternidade premium, que poderá consultar no nosso website;

5 – Conclusão em dois pontos de um resultado do teste de paternidade errado

Este caso destaca um problema de interpretação dos resultados dos testes de paternidade, quando há falta de informações no caso e a necessidade de conhecimento da literatura atual dentro dos laboratórios que executam este tipo de exames. Um laboratório não se distingue apenas pela sua tecnologia, mas pela qualidade dos seus geneticistas.

Em primeiro, é necessário ter em atenção ao número de marcadores genéticos utilizados em cada teste de paternidade, o primeiro laboratório utilizou um kit de 16 marcadores genéticos (a qualidade do kit é boa – tecnologia promega, mas faltava quantidade de marcadores analisados);

Em segundo, os geneticistas deste laboratório permitiram-se atropelar todas as bases científicas e relatar o pai como excluído, quando na verdade devido à falta de marcadores, aliado à sua inexperiência concluíram erroneamente que o suposto pai estava excluído, resultando num resultado de um teste de paternidade errado.

Para concluir, tenha o leitor em atenção que posteriormente foi utilizado o mapeamento do cromossoma Y (12 haplotipos) + 21 Locus, perfazendo uma análise de 33 sistemas. Mesmo assim não foi possível aferir a filiação.

Se este caso decorresse nos dias de hoje, os laboratórios da CódigoADN têm a capacidade de obter 68 marcadores genéticos e dar uma resposta conclusiva quanto à filiação, infelizmente à época tal tecnologia ainda não existia.

Contudo, evidenciasse que a falta de marcadores genéticos e a inexperiência de outro laboratório, abriram fraturas numa família que dificilmente se poderão curar. Antes de avançar informe-se quanto ao número de marcadores genéticos mas também quanto à experiencia do laboratório.

Biografia:

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