Poucos de nós conhecem os factos sobre como os gatos se domesticaram e no seu processo como começaram a coabitar nas nossas casas. Entender os gatos e o papel que eles ocupam na história ajuda a esclarecer, de certa forma, a evolução humana.

Existe uma concordância entre os especialistas que o gato doméstico evoluiu a partir do gato selvagem do Oriente, durante o qual as linhagens genéticas foram surgindo. Há 8 mil anos atrás, os gatos começaram a “aparecer” à volta das comunidades agrícolas em todo o Crescente fértil, território que incluí a Mesopotâmia, as áreas do Rio Eufrates, o Levante, bem como a costa leste do Mediterrâneo. Em termos de países modernos, estas áreas seriam o Iraque, a Síria, o Líbano, a Jordânia, o Egito, partes da Turquia e do Irão, Chipre, Israel e Palestina.

Uma das primeiras linhagens teve como primeira casa (domesticação) o Egito, como deve ter conhecimento, os gatos não gostam de ficar muito tempo no mesmo lugar, então começaram a explorar novos territórios. Quando a antiga civilização egípcia chegou ao fim, os gatos cruzaram os mares para a Grécia, onde foram vendidos com frequência. Os povos que mais compravam os gatos eram os Persas.

Cerca de 500 anos antes da época comum (A.C.), um gato domesticado foi apresentado ao Imperador da China e, a partir deste momento, tornou-se muito popular entre a classe rica na China, particularmente durante a Dinastia Song. Ao longo deste período, apareceu na China algumas das primeiras raças de gatos, como os siameses e birmaneses. A partir daí, os gatos foram enviados para o Japão e também chegaram à Índia.

O que é ainda mais interessante são os resultados de um estudo abrangente recente feito sobre genes felinos, o que nos fornece uma visão de como os gatos entraram nas nossas vidas. O estudo, divulgado na National Geographic, baseia-se em amostras genéticas com cerca de 200 gatos abarcando um período de 9 mil anos, incluindo a análise dos restos de gatos e resquícios egípcios mumificados, de um gato romeno e animais selvagens africanos modernos entre outros espécimes.

Os resultados da pesquisa mostram que levou bastante tempo estes animais a “decidirem” se se deveriam juntar-se às pessoas ou não.

Os gatos começaram a estabelecer-se a sua relação simbiótica com pessoas do outro lado do Egito e da Mesopotâmia. Tiveram uma grande influência quando se tornaram a “policia” dos roedores, controlando os ratos que dizimavam as culturas das primeiras comunidades agrícolas desenvolvidas. Lentamente, mas de forma constante, os gatos aproximaram-se dos lugares onde os seres humanos criaram as suas aldeias e cidades e começaram a apreciar o relacionamento com os humanos.

À medida que as civilizações se desenvolveram, o relacionamento humano-animal também se desenvolveu. As pessoas permitiram que os gatos se domesticassem, como afirma um dos co-autores do estudo, Claudio Ottoni da Universidade de Leuven.

Há 1500 antes da época comum, os gatos domesticados espalharam-se pela maior parte do mundo antigo. Sendo um animal social e capaz de ser domesticado, o gato egípcio certamente demonstrou qualidades que foram percebidas como atraentes para a maioria dos humanos. Através deste processo contínuo, as pessoas começaram a confiar nos seus companheiros felinos e começaram a transportar os gatos do Velho Mundo para outros territórios, seguindo as rotas comerciais marítimas, para ajudar a controlar os roedores sempre em multiplicação.

A comparação do ADN na pesquisa mostra que os gatos domesticados e selvagens têm poucas diferenças na composição genética, como a marcação do gato malhado que nos pode ajudar a distinguir os domésticos dos selvagens. Esta característica apareceu pela primeira vez durante a Idade Média, uma época em que a grande maioria dos gatos estava amplamente associada à feitiçaria e superstição. Alegadamente, o gene do gato malhado estende-se para o Império Otomano, tornando-se mais comum na Europa e na África.

Mas demoraria até ao século XVIII, antes que as marcas se tornassem suficientemente populares para serem associadas a gatos domésticos e, no século XIX, as pessoas que gostavam de gatos começaram a selecionar gatos com traços particulares com o objetivo de criar uma nova raça elegante.

A história do gato domesticado é diferente da história dos cães, de facto os primeiros animais que os humanos domesticaram intencionalmente. Isto aconteceu quando as pessoas ainda viviam em comunidades do tipo caçador e escolheram os cães para os treinar para tarefas específicas. Os gatos tornaram-se úteis apenas quando as pessoas começaram a se estabelecer e a vida nômada era menos comum.

Além disso, é devido aos humanos não tentaram domesticar os gatos, como se fez com os cães que hoje existem muitas mais raças de cães do que de gatos. Eva Maria Geigl, geneticista, explica ainda que os gatos não precisavam passar por nenhum processo de seleção, pois “eles eram perfeitos como eram”.

Na atualidade, há cerca de meio bilião de gatos domesticados que são animais de estimação em todo o mundo.

Em poucas palavras, é seguro dizer que os gatos se tornaram um companheiro para as pessoas sem alterar muito o seu genoma. Apesar de ainda se parecerem com gatos selvagens, agora não são solitários, convivem com humanos e outros gatos.

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